O que é a vesícula biliar?
A vesícula biliar é um órgão do corpo humano que apresenta o formato de uma pêra e têm como função principal armazenar bile. A bile é necessária para digerir comidas gordurosas que ingerimos. A via biliar comum é um tubo que leva a bile do fígado para o intestino e a vesícula biliar está conectada a esta pelo ducto cístico, que também funciona como um canal por onde passa a bile. Apesar disso, a vesícula biliar não é um órgão essencial, pois conseguimos digerir a comida gordurosa mesmo sem a sua presença.

O que são “pedras” ou cálculos na vesícula biliar?
Os cálculos da vesícula biliar variam em forma, cor e tamanho. Existem vários tipos de cálculos que se formam na vesícula, sendo mais comum aquele formado pelo excesso de colesterol (que é um dos componentes da bile). Aproximadamente 10-15% dos adultos vão desenvolver cálculos na vesícula biliar. Cálculos são mais comuns em idosos, mulheres (principalmente as que utilizam pílulas anticoncepcionais) e pacientes obesos. Também, os cálculos podem se formar na vesícula biliar durante a gravidez.

Quais são as complicações, sinais e sintomas clínicos que os cálculos na vesícula biliar podem apresentar?

Dentre eles podem surgir:
1-Dores abdominais: geralmente tipo cólica que podem durar minutos ou horas; e às vezes cessam espontaneamente;
2-Pancreatite: É uma inflamação do pâncreas que pode ocorrer se uma das pedras sair da vesícula biliar e durante seu deslocamento pela via biliar comum obstruir o ducto pancreático principal (haja visto que o início do ducto pancreático está também nessa localização). Essa obstrução desencadeia um processo inflamatório no pâncreas;
3-Icterícia ou “Amarelão”: Este é um quadro em que os olhos e a pele ficam amarelos, associados muitas vezes a uma urina cor de “Coca-Cola” e fezes esbranquiçadas. A obstrução da passagem da bile por um dos cálculos que se deslocam para via biliar comum leva a esse quadro e muitas vezes também a colangite, que é um quadro de infecção associado.

Qual é o tratamento para os cálculos na vesícula biliar?

Uma dieta pobre em gordura pode ajudar a diminuir os sintomas principais de dor abdominal. Não existem medicações comprovadamente eficazes que dissolvam os cálculos e que consequentemente reduzam sintomas. O melhor tratamento é a cirurgia de retirada da vesícula biliar, ou colecistectomia. Está deve ser retirada e não somente os cálculos já que do contrário novos cálculos se formariam novamente.

Como é a cirurgia de colecistectomia?
Esta cirurgia é realizada com anestesia geral e atualmente por via laparoscópica, a não ser em casos específicos em que o paciente apresenta muitas cirurgias abdominais prévias ou alguma outra condição médica do paciente que restrinja a realização deste procedimento. A cirurgia de maneira aberta, ou mais conhecida como “cirurgia de corte”, é realizada em aproximadamente 5% dos casos após tentativa por via laparoscópica sem sucesso.

A cirurgia por via laparoscópica envolve a realização de quatro incisões pequenas no abdômen por onde colocamos os trocateres (peças por onde passam os instrumentos cirúrgicos), sendo uma delas na região do umbigo. Uma câmera de vídeo específica é inserida na cavidade abdominal após a insuflação desta com dióxido de carbono. Isto é feito para que haja espaço dentro do abdômen para a câmera de vídeo e instrumentais sejam colocados e manuseados com segurança. O cirurgião se guiará pelas imagens da óptica de videolaparoscopia para realizar a cirurgia visualizadas em um monitor que fica ao lado do paciente.

Segue o esquema ilustrativo abaixo:

Cirurgia por via laparoscópica

O tempo de cirurgia depende da dificuldade encontrada. Em média demora de 45 minutos a 1 hora. Clips cirúrgicos permanentes são colocados no ducto cístico e artéria cística (estruturas conectadas a vesícula biliar) para que possam ser cortados e a vesícula biliar removida sem que haja sangramentos ou vazamento de bile. A vesícula biliar é removida da cavidade abdominal por um dos orifícios onde estão os trocateres com um dispositivo de plástico específico para isso.

Segue o esquema ilustrativo da anatomia citada acima:
Esquema ilustrativo da Anatomia

Muitas vezes é necessário realizar colangiografia intraoperatória, que nada mais é do que a injeção de contraste pelo ducto cístico e visualização por meio de imagens de Raio-X, para confirmação que não restaram cálculos na via biliar comum.

Quais são os possíveis riscos e complicações da cirurgia?

São raros os casos de complicações graves em casos de cirurgia de colecistectomia. Os riscos podem ser maiores a depender de outras comorbidades que o paciente possa apresentar.

Dentre os riscos possíveis da cirurgia temos:

- Conversão para cirurgia aberta, como mencionado anteriormente;

- Dores nos ombros, que geralmente ocorrem nas primeiras 24h após procedimento, em decorrência da insuflação do gás no abdômen;

- Infecções em geral (pneumonia, infecção na ferida operatória, etc);

- Sangramentos, durante ou após a cirurgia assim como em qualquer procedimento cirúrgico;

- Fístula biliar, ou vazamento de bile, que pode levar ao paciente precisar de novas intervenções cirúrgicas invasivas ou por via endoscópica;

- Danos inadvertidos a estruturas adjacentes a vesícula biliar, como a via biliar comum e à artéria que irriga o fígado. Estes casos são potencialmente sérios e bastante raros de ocorrerem.

- Trombose venosa profunda ou Tromboembolismo pulmonar, são coágulos que podem se formar nos pulmões ou nas pernas. Isto pode ocorrer após qualquer cirurgia. Existem maneiras já preconizadas para tentar minimizar ainda mais esse risco;

- Às vezes algum cálculo pequeno pode passar para via biliar comum durante a cirurgia sem percebermos e portanto, pode ir para o intestino sem causar nenhum problema. Porém as vezes, um segundo procedimento por via endoscópica, chamado CPRE, pode ser necessário para removê-lo.